<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3755338095258874984</id><updated>2012-02-15T22:21:25.429-08:00</updated><title type='text'>NUNCA-TERRA</title><subtitle type='html'>[PRIMEIROS SINTOMAS]</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nuncaterra-primeirossintomas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3755338095258874984/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuncaterra-primeirossintomas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Primeiros Sintomas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03947651074249432086</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3755338095258874984.post-5523552143644207399</id><published>2009-01-23T03:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-23T04:44:37.233-08:00</updated><title type='text'>NUNCA-TERRA em vez de Peter Pan</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Texto &lt;strong&gt;Miguel Castro Caldas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Encenação &lt;strong&gt;Bruno Bravo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Interpretação &lt;strong&gt;André Levy, Bruno Simões, Élvio Camacho, Peter Michael, Rafaela Santos, Raquel Dias, Sandra Faleiro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Música &lt;strong&gt;Sérgio Delgado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Cenário &lt;strong&gt;Stephane Alberto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Figurinos &lt;strong&gt;Chissangue Afonso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desenho de luz &lt;strong&gt;Zé Manel Rodrigues&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Design gráfico &lt;strong&gt;Tó Trips&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Registo de vídeo &lt;strong&gt;Edgar Feldman&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Assistência de produção &lt;strong&gt;Catarina Mascarenhas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Direcção de produção &lt;strong&gt;Mafalda Gouveia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estreia Pequeno Auditório da Culturgest, 15 de Setembro de 2005&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reposição Teatro da Comuna - sala Novas Tendências, 7 de Julho de 2006&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;No comboio descendente&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas que grande reinação!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Uns dormindo, outros com sono,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E outros nem sim nem não&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sou eu, quem és tu, não é questão. De onde para onde também não. O que interessa é que vamos. Mas vamos a dar a dar, ou vamos parados? As palavras voam, como o rapaz verde, e as pessoas abrem a boca para respirar, que remédio (se tiverem o nariz entupido), e às vezes saem suspiros, e outras vezes saem coisas, sapos, trapos. Às vezes fala-se tão depressa que parece o discurso do pouca-terra, pouca-terra. Pouca-terra, pca-trra pqtrr pqtrr pqtrr pqt Pqt pqt Pt pt.Pt.pt.Pt.pt.Pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ouvir o meu avô que era um velho agrónomo dizer que sentia que havia uma relação entre o pão e a guerra, e eu, que sou uma criança perante a imponência destas palavras, só me posso atrever a dizer que sinto que existe uma relação entre o pan e a terra. E daqui continuar (desculpem-me os literatos que não gostam de trocadilhos), que existe uma relação entre a guerra e a terra e entre o pan e o pão, e o panado, que é feito com pão ralado. E, já agora, disto tudo a relação mais óbvia: entre a terra e o pão. E tudo isto dito é o barulho do movimento de um comboio. As letras são as migalhas da engrenagem. Quando nos calamos as luzes apagam-se. Se voltamos a falar a luz volta a vir, e vemos que o som vem do escuro, como dizia o Beckett, e vemos que vai andando, e nós vamos lá dentro, pouca terra pouca terra, vendo a paisagem a passar pela janela. E para onde vá sou sempre eu a ir, eu que vejo a partir de mim dentro, sem outro remédio, como dizia o Borges, que vi num documentário da televisão a explicar como é que tinha ficado cego: ia a ler um livro policial no comboio, a forçar a vista, já via mal, e depois entrou num túnel, e à saída do túnel ficou a vista do Borges lá no escuro. E desde aí o túnel acompanhou-o, a qualquer parte que ele dentro dele tivesse que ir. Talvez que eu leve comigo o daqui prali se eu for daqui prali. E que traga o&lt;br /&gt;prali se vier daí. Mesmo assim isto é longe do &lt;em&gt;ser toda a gente e toda a parte&lt;/em&gt; do Álvaro de Campos. Não chega ao alentejano cortar os olhos (ou os alhos?) aos bocadinhos e espalhá-los pela terra para ter mais do que o seu corpo. O Alentejano, essa coisa que se chamou ao português que não tem terra nem pão. Alto, que este texto já se está a parecer uma cartilha qualquer que hoje irrita tanto os que mexem em tudo (mas os que hoje mexem são afinal os filhos dos que mexiam). Mas que hei-de fazer, se Pan parece tanto pão, parece tanta terra, mas terra do nunca, pão do que não cresce, tantas mães ocas, e piratas quem sabe generosos, e índios, os verdadeiros índios (que ainda havia no tempo em que foi escrito pelo J. M. Barrie, daqueles que iam atrás dos comboios nos filmes que se fizeram mais tarde), diria mesmo — se os literatos que não gostam de trocadilhos me deixassem — parece tanto o meu avô agrónomo, que já morreu, porque esta morte toda (&lt;em&gt;to die will be an awfully big advent&lt;/em&gt;ure) é a gente dizer que não quer crescer mais aqui dentro. Não chega a ninguém fazer o que quer que seja para ter mais do que o seu próprio corpo. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Miguel Castro Caldas &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pode ser que esta peça seja uma viagem de comboio porque as luzes assim o querem e lá vai a família — o pai, a mãe, os dois filhos (aquele que quer nascer e o que não quer) à procura da Terra do Nunca sem saberem que já lá chegaram porque a Terra do Nunca é, ela própria, o andamento do comboio. Pode ser que esta peça seja uma partitura — a partitura dos ossos das pernas que nos doem quando crescemos — em andamentos de comboio que nos separam da infância. E onde está ela, a infância? E quando crescemos o que é que cresce em nós? E neste comboio, que não é o de Barrie, pode ser que sejam eles a espreitar pelas janelas: O Peter Pan, o Gancho, a Wendy, o Smee, o casal Darling e os filhos mais a Nana e os índios. &lt;/p&gt;&lt;div align="right"&gt;Bruno Bravo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3755338095258874984-5523552143644207399?l=nuncaterra-primeirossintomas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuncaterra-primeirossintomas.blogspot.com/feeds/5523552143644207399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nuncaterra-primeirossintomas.blogspot.com/2009/01/texto-miguel-castro-caldas-encenao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3755338095258874984/posts/default/5523552143644207399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3755338095258874984/posts/default/5523552143644207399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuncaterra-primeirossintomas.blogspot.com/2009/01/texto-miguel-castro-caldas-encenao.html' title='NUNCA-TERRA em vez de Peter Pan'/><author><name>Primeiros Sintomas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03947651074249432086</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
